Vou seguir um misto de contos de terror, ficção, pensamentos, idéias, sempre voltado ao inexplicável..
Segue um breve conto de ficção que criei a alguns anos..
Complexo de origem
A noite é desejável, sentir o aroma exalado que prolifera aos ares de súbito e inexplicável, um odor esfíngico e sobrenatural. Cada passo a frente ao tilintar dos sapatos na passarela de acrílico, ruídos secos e sequênciais como que madeira colidindo.
Olhando em volta, com a visão em parte sendo bloqueada pela bruma que surge de minha boca, o choque térmico do meu hálito com o ambiente gélido artificial. Um passo depois outro, os postes em neon tremeluzentes, oscilam ao meu caminhar, acendem, apagam, acendem, oscilam, apagam. Minhas mãos enrigessem, cálidas como a neve, desprovidas de vida como um cádaver, mortas como em um sepulcro. Eu as movo mas não as sinto, entorpecendo até o mais leve dos movimentos.
Ao adiante não vejo mais que vultos, pessoas que passam por mim não vejo seus rostos, só escuto o vento e alguns estréptos abafados, meio indefiníveis, rostos que ao me olharam, ao me fitarem não me trazem mais que caláfrios e sentimentos lúgubres. Esbarro em algumas pessoas mas elas não reclamam, não me notam, parece que não estou ali, cristais de neve pousam em meus ombros, em minhas face, me tocam como quem acarícia algo raro, como quem esculpe beldades em porcelana. Tudo tão monocromático mesmo aqui nesse local, até os flocos de neve causados com a alteração artificial pela introdução de compostos químicos na atmosfera, parecem sem vida, mesmo com passos razoavelmente pesados, ainda sinto o desconforto de pressão, mesmo aqui ainda não me acostumei com esses formatos de faces triângulares com que nascem os habitantes. Não consigo definir o que é origem e o que é selenita, mas quem dera estou a apenas algumas semanas sob este solo arenoso.
Os estabelecimentos com paredes de crystal liquido, proveniente do mineral nativo, ainda me causam certo espanto, apensar de termos alguns bem parecidos no complexo de origem, os que aqui foram criados além de não entrarem em contraste com a paisagem azulada, me atormentam as vistas em relação a visibilidade totalmente clara deste lugar, devido ao fato deste local não possuir luz difusa. Pois a atmosfera local foi adaptada ao convívio Homo Sapiens Sapiens para que fosse apenas habitável e não embassada como a que nós temos no complexo de origem.
Os ruídos que emergem das casas e estabelecimentos selenitas são totalmente diferente dos que conhecemos, assim como já havia dito a luz não se faz difusa, pois o neon dos letreiros propagandas que temos tem brilho estelar, tão limpo que quase parece energia pura. Já os sons são em base o mesmo, porém devido a atmosfera proferir menos oxigênio e mais nitrogênio um pouco de carbono e uma outra variedade de gases, mesmo tendo dominado a tecnologia necessária para respirar neste ambiente e escutar no mesmo, nossos equipamente não podem simular, por enquanto, a sonoridade de origem. Os violinos que estamos habituados a ouvir, em cafés ao fim do crepúsculo, não parecem nada com os que rodeam a área de lazer ao redor do Ticho, os que aqui vibram, ressoam aos nossos ouvidos com a frequência de um apito. Tente se imaginar ouvindo a introdução solene de um canto lírico, como se fosse um grito agonizante de despero.
Infelizmente temos esses e outros fenômenos que nos desagradam, mas suportáveis eu diria, ter que andar o tempo todo com um pressurizador atmosférico atrás da nuca, e um microtransmissor-receptor acoplado nas cavidades vocais, não é muito agradável, mas acabamos nos acostumando.
Sinto-me aliviado em saber que estou me dirigindo ao local de saída, me traz uma certa sensação de conforto saber que minha próxima estadia me trará uma visão de entardecer com pelo menos uma boa variedade de satelites no zênite resplandecendo, atordoo-me ao pensar em como o céu azulado-alaranjado de noite me trará a mesma infinidade de estrelas que o complexo de origem. Paro diante a uma plataforma, a esteira flutuante está bem cheia hoje, os selenitas devem estar em alguma escurssão estelar, acho que vou ter que entrar na fila. Não me incomodo, assim posso olhar por mais uma vez estes horizontes distorcidos com a paisagem urbana, prédios e habitações na impressionante base de crystal, mas deixemos de lado estes aspectos. Realmente a noite lunar traz algo de sobrenatural e não é o meio flutuante pelo qual os selenitas se movem, mas sim suas expressões vazias, parecem todos zumbis, concordo que possa ser devido ao fato de serem todos iguais fisicamente, mas eu bem o sei que intelectualmente são todos diferentes, tive o prazer, e digo prazer mesmo, de ter consumido algumas capsulas de carboprotéicos em um como chamamos, "restaurante" selenita, enquanto injetávamos H2O, pois infelizmente a gravidade dispersaria este preciosi líquido. Enquanto nos banqueteávamos com pílulas e cápsulas falávamos sobre propulsão quântica e física molecular, e seria injusto da minha parte não admitir o quanto Sfrawk (como assim o chamo por uma denominação terreste, pois não podereia representar aqui a escrita dele, pois a mesma não é sólida como nosso lápis e papel, e sim por manipulção de gases emitidos por orifícios toraxícais) sabia sobre a estrutura molecular do hélio, pois eles até algum tempo atrás não possuiam este material, e por incrível que pareça não fomos nós Sapiens que o trouxemos para eles, e sim os trivertebrados de Saturno.
Aliás é para onde me levarei agora...
PLATAFORMA - 57863ST/98726WW COMPLEXO SATURNO, FAVOR COLOCAR OS PERTENCES NO TRANSPORTADOR AO LADO, NA CÚPULA DE DESMATERIALIZAÇÃO E REPROJEÇÃO, REMOVA OS DESPRESSURIZADORES POIS É DE USO AO PRÓXIMO, AO SINAL PROJETE SEU PENSAMENTO NO VISOR HOLOGRÁFICO A FRENTE E ATIVE A IGNIÇÃO, BOA VIAGEM
TEMPO ESTIMADO 42min 32seg (COM BREVE PARADA EM CALISTO)
quinta-feira, 15 de março de 2012
quarta-feira, 14 de março de 2012
Tudo que sou e suponho...
Inicio este blog com uma homenagem a minha eterna companheira e amada, que nos momentos difíceis e nos momentos felizes, sempre ao meu lado encontro
Um sonho num sonho
Este beijo em tua fronte deponho!
Vou partir. E bem pode, quem parte,
francamente aqui vir confessar-te
que bastante razão tinhas, quando
comparaste meus dias a um sonho.
Se a esperança se vai, esvoaçando,
que me importa se é noite ou se é dia...
ente real ou visão fugidia?
De maneira qualquer fugiria.
O que vejo, o que sou e suponho
não é mais do que um sonho num sonho.
Fico em meio ao clamor, que se alteia
de uma praia, que a vaga tortura.
Minha mão grãos de areia segura
com bem força, que é de ouro essa areia.
São tão poucos! Mas, fogem-me, pelos
dedos, para a profunda água escura.
Os meus olhos se inundam de pranto.
Oh! meu Deus! E não posso retê-los,
se os aperto na mão, tanto e tanto?
Ah! meu Deus! E não posso salvar
um ao menos da fúria do mar?
O que vejo, o que sou e suponho
será apenas um sonho num sonho?
Edgar Allan Poe
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